Beneficiários do Bolsa Família aumentaram compra de comida em 79%, diz estudo

Resultados de pesquisa realizada pela UnB serão apresentados em conferência mundial organizada pela Organização Mundial de Saúde

Hugo Costa - Da Secretaria de Comunicação da UnB
 
Mais comida na mesa, menos desigualdade. Os índices que revelam o impacto do Programa Bolsa Família na sociedade brasileira foram reunidos em trabalho elaborado pelas professoras Leonor Pacheco Santos, do Departamento de Saúde coletiva, e Édina Miazaki, aposentada do Departamento de Estatística, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. A avaliação do programa feita pelas pesquisadoras da UnB será apresentada na Conferência Mundial Sobre Determinantes Sociais da Saúde, que tem início na próxima quarta-feira, 19 de outubro, no Rio de Janeiro.

A experiência nacional com transferência de renda será apresentada para representantes de pelo menos 118 países que já confirmaram presença na conferência, promovida pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O trabalho reúne em 16 páginas dados de estudos que indicam transformações sociais alcançadas com o auxílio do Bolsa Família, implantado em 2003 e apontado como o maior programa do gênero no mundo, com mais de 52 milhões de pessoas beneficiadas. O benefício pago pelo governo federal às famílias varia de R$ 32 a R$ 242.

A contribuição de Leonor Pacheco Santos esteve mais voltada aos aspectos alimentares. Com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD) de 2004, a professora informa no estudo que a compra de alimentos aumentou em 79% para as famílias assistidas pelo Bolsa Família. Estudos relacionados também descrevem a propensão para uma alimentação mais saudável com o consumo de frutas e verduras pelos beneficiários. “Os números apontam que o programa está tendo êxito no que propõe: redução das desigualdades e promoção da segurança alimentar”.

O trabalho explica que as crianças beneficiadas pelo programa estão 26% mais propensas a terem altura compatível com a idade que as de mesma classe social, mas não assistidas. Os efeitos são mais visíveis em crianças de um a cinco anos. Leonor diz que os resultados deixam claras as virtudes do Bolsa Família, mas que ele ainda pode ser aprimorado. “A cobertura ainda não foi universalizada e deve ser expandida. É preciso aperfeiçoamento constante e mais controle social”, avalia.

Entre as mudanças atribuídas ao Bolsa Família e aos programas que o antecederam, também há destaque para queda da desigualdade aferida com base no Índice de Gini, utilizado em escala internacional para avaliar distribuição de renda. O índice brasileiro cai desde o início da década passada e está abaixo de 0,54. Nos anos 80, o índice chegou a 0,64. Quanto menores os números, menor a concentração de renda em um país. Alemanha, Dinamarca e Noruega estão entre as nações com menos disparidades e têm índices abaixo de 0,30.

Muitos dos números incluídos no trabalho foram organizados com o apoio da professora aposentada Édina Miazaki, que está em viagem para São Paulo. “A participação dela foi fundamental para que utilizássemos dados e estatísticas com correção”, explica Leonor. As professoras foram convidadas pela OMS para participar do trabalho após terem publicado artigo em revista da organização.

CONFERÊNCIA Cerca de mil participantes são esperados no evento sediado na capital fluminense. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, mais de 60 ministros de estado estarão presentes. A conferência, que vai até o dia 21 de outubro, tratará ainda de questões como a crise econômica mundial, hábitos alimentares e condições de vida de gestantes.

O encontro vai produzir um documento técnico para orientar políticas voltadas à diminuição das disparidades na atenção à saúde a partir de ações sobre questões sociais. Também será firmada a Declaração do Rio, na qual os estados membros da OMS devem se comprometer a implementar o que for acordado.

Fonte: UnB Agência.
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